quarta-feira, 18 de julho de 2012

A suavidade da melancolia...

Ao Carlitos nosso de cada dia...


Perceval, o último Cavaleiro...

Da morte se faz a vida, do fim o início, da tristanheza a  perseverança e parcimônia...




Dedico o poema do autor "O Profeta" as minhas memórias que me acompanham em todos os momentos tênues de liminaridade...

CAVALEIRO DAS ONDAS


Este impaciente vento
Veio com uma aurora sombria
Um sorriso puro confirma a verdade
Há um rosto triste, há uma alma vazia…

Há uma culpa que se veste de pecado
Há um pecado que arrocha o coração
Há uma virtude perdida na loucura
Há uma flor caída no frio chão…

E há o Mar
No reino de Neptuno está proibido o perdão
Como é sinuosa a viagem da paixão
Como é tonto às vezes o coração

Um tear morre sem uma mão
A culpa às vezes é vítima da ofensa inocente
A tua alma campo de batalha
Um palhaço nem sempre ri de contente

Senti o coração silencioso da terra
Senti a batida das ondas do mar
Senti a dureza das nuas pedras
Duvidei sete vezes da palavra amar

Quebrei as cadeias do pensamento
Aprisionei o Mar numa gota de sal azul
Vendi os sonhos aprisionados em minhas mãos
Sentei-me para contemplar um pássaro voando para sul

Nua, és azul como as colinas da ilha
Uma baía que acolhe o pranto
Um rio de todas as dores
Errantes são os pesares em céu de espanto

Pensar que cada pedra chegou aqui por si
Coroada pelas neblinas da manhã
Procuram-te as raízes, sobe a terra às tuas mãos
Boca que solta tremula a palavra vã

A beleza vai fugir para poente
A noite vai soltar mil sombras bisonhas
Entro no mar, de corpo e alma nua
Na cabeça ostento uma coroa de espuma, sou…O Cavaleiro das Ondas…


O Profeta